O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do estado, afirmou nesta quarta-feira (7) que fará campanha para o presidente Lula (PT) no segundo turno, mas rejeitou a ideia de que deva atuar como um aliado subordinado ao petista.

“Eu tenho muita gratidão ao presidente Lula, voto no presidente Lula, faço campanha para o presidente Lula. Agora, tem pessoas que votam em mim que não fazem campanha, que não votam no presidente Lula. Eu já disse: eu não sou do PT, eu não penso tudo igual ao Lula, eu não sou um vassalo do Lula”Eduardo Paes durante agenda de campanha na Rocinha, na zona sul do RJ

A declaração do ex-prefeito do Rio de Janeiro foi dada após o jornal Folha de S.Paulo publicar uma reportagem sobre reclamações de Lula a aliados a respeito do empenho de Paes na campanha presidencial no Rio. Segundo relatos ouvidos pelo jornal, o presidente avaliou que o ex-prefeito se omitiu durante a disputa.

Lula fez as críticas na noite de segunda-feira (5), um dia depois de terminar o primeiro turno da eleição presidencial atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado do Rio de Janeiro. Ainda segundo a Folha, o petista resumiu sua insatisfação com um ditado popular: “quem tudo quer nada tem”.

Conversa com Lula

Paes afirmou que conversou com Lula na noite de terça-feira (6), após a publicação da reportagem, e negou que exista um conflito entre os dois.

“Eu falei ontem à noite com o presidente Lula. Tem intrigueiro, tem ciúme. Eu também queria que todo mundo que votou no Lula votasse em mim. Teve gente que votou no [vereador Willian] Siri, teve gente que votou no cara do PCO, e eu não estou dando crise”Eduardo Paes

O candidato também ressaltou que sua relação política com Lula não significa alinhamento automático com o presidente ou com o PT.

Críticas à articulação de Lula no Rio

Ao ser questionado sobre o desempenho de Lula no Rio de Janeiro, Paes criticou a articulação política do presidente no estado. Segundo ele, o governo federal investiu cerca de R$ 20 bilhões na Baixada Fluminense, mas não conseguiu transformar esses investimentos em reconhecimento político.

“Ele fez R$ 20 bilhões de investimentos e ninguém reconhece o trabalho dele na Baixada [Fluminense]. […] Eu acho que faltou política aqui no estado do Rio de Janeiro”, disse.

Paes afirmou ainda que, durante os quatro anos em que esteve à frente da Prefeitura do Rio, trabalhou para aproximar Lula da população e participou de agendas ao lado do presidente.

“Comigo não, me ajudou para caramba, demais. Eu passei quatro anos no governo do Lula reconhecendo isso, levando ele pra agenda, inaugurando, fazendo coisa, defendendo o nome dele. Agora, se deu R$ 20 bilhões para a Baixada e articulação… Eu não era prefeito da Baixada”, declarou.