Daniel Vorcaro afirmou em depoimento que passou a se aproximar de integrantes do Banco Central e de membros da política após mudanças regulatórias que, segundo ele, aumentaram a pressão sobre o Banco Master.

O banqueiro sustentou que as alterações modificaram as condições sobre as quais o plano de negócios da instituição havia sido estruturado e disse ter buscado interlocutores em Brasília para tentar evitar que o banco fosse retirado do mercado.

“Foi quando a gente acabou fazendo uma interação com pessoas relevantes ali do Banco Central, com membros da política, para que a gente pudesse explicar qual era o contexto das mudanças regulatórias, que eram mudanças para prejudicar o mercado, prejudicar o nascimento de novas instituições, não para beneficiar a população”, afirmou Vorcaro.

No depoimento, o banqueiro não identifica quais foram as autoridades políticas procuradas nesse processo. Ele relata, porém, que a busca por proteção ganhou força depois de receber um aviso de um concorrente, cujo nome também não revelou, de que deveria deixar o mercado. Segundo Vorcaro, posteriormente esse mesmo interlocutor afirmou que a avaliação de outros integrantes do setor era de que “o ideal era […] que eu fosse queimado vivo em praça pública”.

“A partir desse aviso, eu começo a tomar uma série de medidas tentando me proteger, evitar que isso acontecesse”, declarou. Vorcaro reconheceu que tomou decisões equivocadas durante esse processo. “E nessas medidas, eu tive acertos e tive alguns erros, que é o que eu tenho tentado dizer. Porque eu cedi a pressões, cedi a instruções restrições, cedi…”

O banqueiro afirmou ainda que não pretendia se apresentar como vítima e disse que as medidas adotadas tinham como objetivo proteger tanto a si próprio quanto o Banco Master. “Quando eu digo isso, o relato aqui não é, de novo, não é me colocando de vítima. Eu preciso explicar, em algum momento, porque obviamente eu quero me defender, mas eu quero também dizer aonde eu cometi erros. E essas medidas sempre foram no intuito de me proteger, de proteger a instituição.”

Vorcaro relacionou a estratégia à aproximação com pessoas que classificou como relevantes e à realização de eventos do banco. Segundo ele, esses relacionamentos funcionariam como uma forma de proteção diante das pressões que dizia sofrer. “Eu acabei tendo acesso, conhecendo pessoas relevantes. Eu fiz eventos do banco, fiz interações, sempre com o intuito de me proteger contra a investida dessas pessoas que, no meu entendimento, são as pessoas que comandam não só a economia, mas também a política do nosso país.”

O banqueiro também associou a tentativa de fusão com o BRB a essa estratégia. Vorcaro afirmou que o negócio foi uma das medidas tomadas depois do alerta que disse ter recebido e sustentou que a integração entre as duas instituições teria sido benéfica.

Ao explicar sua aproximação com pessoas influentes, Vorcaro voltou a dizer que agia por receio de sofrer retaliações. “E essas medidas de defesa que eu fiz, doutor, elas se traduziram em relações e relacionamento com pessoas relevantes, porque eu tinha medo das retaliações que poderiam acontecer.”