Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dava “tratamento privilegiado” e “diferenciado” ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo apresentação da Polícia Federal enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, o banqueiro chegava a pagar viagens internacionais com hotéis de luxo e de alto padrão, o que teria chamado a atenção dos investigadores. Segundo a polícia, a relação entre os dois foi descrita como “funcional e instrumental”.

“Nesse contexto, o que se verifica é que da relação profissional espúria e marcada por típico mutualismo ilícito derivou o vínculo pessoal, o qual apresenta como consequência – e não como causa – da associação funcional mantida entre os investigados.”

Ainda segundo a PF, o banqueiro pagava uma espécie de mesada ao parlamentar, de R$ 300 a R$ 500 mil, além das viagens com jatos particulares e restaurantes de luxo.

O senador teria também utilizado a sua posição para beneficiar o banqueiro, principalmente com a “Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023”, conhecida como “emenda Master”.

“O parlamentar apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, cujo conteúdo foi integralmente concebido por assessoria vinculada ao Banco Master, conforme evidenciado por comunicações obtidas no aparelho celular apreendido, metadados de arquivos e cotejo literal entre minutas privadas e o texto efetivamente protocolizado no Senado Federal”, diz o texto.

Mimos

Entre a lista de “mimos” pagos pelo banqueiro, estão viagens internacionais, disponibilizando suas próprias aeronaves (jatos privados) para deslocamentos do senador a destinos de luxo como Paris, Nova Iorque, Lisboa e Courchevel (uma badalada estação de esqui nos Alpes Franceses).

Em Nova Iorque, Vorcaro pagou por uma suíte do tipo Royal no luxuoso hotel Park Hyatt, com custo de US$ 47.779,80 (aproximadamente R$ 244 mil). O banqueiro também custeou as despesas de Ciro em um evento em Portugal, cujo montante pode ter alcançado o valor de R$ 91.280,59.

Em Courchevel, garantiu a estadia do senador e de sua esposa no exclusivo “Chalet do Alberto Leite”, providenciando inclusive os detalhes de vestuário e calçados adequados para a prática de esqui.

O “pacote” também incluía o pagamento de contas diárias em restaurantes estrelados. As investigações identificaram o pagamento de um jantar no renomado restaurante italiano GIGI, em Paris (no valor de USD 1.981,12), com direito a concierge, e os pagamentos de restaurantes diários em Courchevel, como o La Soucoupe e o Le Tremplin.

Ciro Nogueira também teria utilizado imóveis de propriedade de Daniel Vorcaro para fins pessoais, assumindo a posse e fruição dos locais como se fossem próprios.

“Dado o contexto do relacionamento existente entre os dois, pode-se concluir que se trata de mais um indicativo de recebimento de vantagem indevida por parte do agente público”, diz o texto da PF.