O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) vai recorrer da decisão do Tribunal de Justiça do Estado que absolveu, em um julgamento realizado nesta quinta-feira (25), dois entre os três réus envolvidos no caso de Ana Beatriz Schelter, jovem de 12 anos que sofreu violência sexual e morreu por asfixia, em 2016.
O Promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen, que atuou no júri, alegou que as provas reunidas sustentam a participação dos acusados nos crimes, motivo pelo qual discorda do resultado.
Assim, um dos homens submetidos a julgamento nesta quinta-feira (25), de 63 anos, teria participado diretamente das violências que resultaram na morte da vítima, incluindo o crime de estupro de vulnerável.
Já o outro homem, de 55 anos, teria interferido na investigação, alterando elementos que poderiam servir como prova. Ambos foram absolvidos.
Outro réu já havia sido condenado
Em 13 de maio deste ano, o último envolvido no caso já havia sido apontado como principal autor, e foi condenado pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado e fraude processual, com pena de 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado e de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.
Ele foi condenado por estupro de vulnerável, praticado em concurso de pessoas, mediante emboscada e com abuso da relação de hospitalidade e confiança que mantinha com a vítima; por homicídio qualificado, cometido por asfixia, também mediante emboscada, com recurso que dificultou a defesa da vítima e com o objetivo de assegurar a execução, a ocultação e a impunidade de outro crime, caracterizando feminicídio agravado pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos; além de fraude processual qualificada, em razão da alteração deliberada da cena do crime.
Investigações
As investigações mostraram que esse primeiro réu era conhecido da família, acompanhava a rotina da vítima e se aproveitou disso para cometer o crime.
A apuração também indicou que ele e outro denunciado apresentavam comportamento relacionado à exploração sexual de crianças e adolescentes, reforçando a ligação entre os envolvidos.
No dia do crime, dois deles ofereceram carona à adolescente durante o trajeto até a escola. Com ela no veículo, foram para um local não identificado, onde cometeram os crimes.
Relembre o caso
Por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, em Rio do Sul, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a jovem Ana Beatriz, que tinha 12 anos, saiu de casa a pé para ir à escola, onde cursava o sétimo ano, no entanto ela a nunca chegou ao destino.
O pai da jovem já registrou o desaparecimento no mesmo dia. Na manhã seguinte, os agentes encontraram o corpo da adolescente dentro de um contêiner às margens da BR‑470.
De início, a perícia apontou que a cena havia sido montada para simular um suicídio por enforcamento, hipótese que foi descartada. Já o laudo confirmou que a vítima sofreu violência sexual e morreu por asfixia.

