Mara Pongelupi, tia da mulher que morreu na tarde desta quarta-feira (29) após uma colonoscopia em um hospital na zona Leste de São Paulo, contou à CNN Brasil que sua sobrinha teve 50% do intestino danificado.
A vítima, Mariana dos Santos Candido, tinha 41 anos e realizou o exame pela primeira vez na vida na terça-feira (28).
Segundo a tia, Mariana estava bem antes de ir até o Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, no bairro Ermelino Matarazzo, para realizar a colonoscopia, acompanhada de sua mãe e sua filha de 9 anos.
As duas aguardaram enquanto o exame era realizado, mas notaram uma demora incomum. Quando o exame terminou, Mariana foi tirada às pressas do local e levada para a sala de cirurgia. A mãe de Mariana foi informada de que o intestino dela havia sido perfurado, e que foi necessário realizar uma cirurgia urgente.
Mara conta que as explicações foram curtas e, após seis horas de cirurgia, a cirurgiã responsável afirmou que 50% do intestino de Mariana foi prejudicado e que ela estava em estado grave, sugerindo que os familiares rezassem por ela.
Mariana saiu da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) entubada, em coma induzido e com ventilação mecânica. Na quarta-feira, por volta de 13h, a mulher faleceu.
A tia da vítima relata que a família não sentiu nenhum apoio do hospital e da equipe. “Fomos pedir satisfação pro hospital, o hospital falou que era um laboratório terceirizado, que o médico era terceirizado. Não quis dar o nome do laboratório, do médico e, batendo nas costas da minha irmã, eles simplesmente pediram desculpa. Até agora ninguém procurou a família“, diz Mara.
Ainda segundo o relato, a mãe de Mariana ficou muito nervosa ao descobrir sobre a morte da filha. Ao ver que a mulher gritava, a equipe pediu que ela se retirasse do hospital.
“A única coisa que a gente está pedindo é justiça, para que nenhuma mãe, nenhum dos filhos, chore por uma perda tão grotesca, por um erro médico”, afirma a tia.
O exame de rastreamento era realizado rotineiramente pelos membros da família após os 40 anos, devido ao histórico de câncer de reto. Para Mariana, porém, era a primeira vez. Ela aguardava para realizar o exame há um ano, porém, no dia anterior, ligou para a tia e afirmou que estava “morrendo de medo” da colonoscopia.
A mulher de 41 anos trabalhava como agente de organização escolar e vivia com a mãe e seus três filhos, dois meninos, de 19 e 15 anos, e uma menina de 9 anos. A tia afirma que Mariana era o “alicerce da casa” e representava “tudo” para a família.
O que dizem as autoridades
Em nota enviada à CNN Brasil, a SMS (Secretaria Municipal da Saúde) lamentou a perda e afirmou que a direção da unidade está à disposição da família.
Segundo o órgão, o caso está sendo apurado em conjunto com a chefia de endoscopia e cirurgia do hospital.
Segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), foi solicitada a remoção do corpo do hospital para o IML (Instituto Médico-Legal), onde será realizada a necropsia.
O caso foi registrado como morte suspeita, sem indícios de criminalidade, no 62º Distrito Policial.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

