Messi, Corinthinha, VH ou Falcão, e Ju Machado são os “vulgos” dos quatro denunciados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) por planejar a execução de autoridades, inclusive do promotor Lincoln Gakiya, apontado como o maior investigador do PCC do país e inimigo número 1 da facção.

Segundo a acusação, o Ministério Público identificou vídeos e áudios nos celulares dos investigados descrevendo a rotina dos agentes públicos, além de registros nos dispositivos que comprovam a presença dos denunciados em pontos estratégicos de vigilância.

O grupo teria monitorado e planejado atentados no interior de São Paulo contra Gakiya, promotor do Gaeco de Presidente Prudente, e Roberto Medina, coordenador de presídios da região Oeste de São Paulo.

O MP pediu a condenação dos acusados e reforçou que Victor Hugo da Silva e Adilson Audinir Oliveira Junior estão em liberdade, “o que autoriza a plena continuidade no levantamento das rotinas e fornecimento dos dados à “Sintonia Restrita”, para que sejam efetivados os atentados contra a vida de agentes públicos“.

Entenda abaixo quem são os denunciados e como eles atuavam, em dois núcleos, no esquema ligado ao PCC.

Victor Hugo da Silva, o “VH” ou “Falcão”

A investigação do Gaeco começou a partir da prisão em flagrante de VH e com a apreensão de seu celular. Ele foi preso em 28 de julho de 2025 por tráfico de drogas com 284 pedras de crack.

A análise do aparelho revelou a participação em ações de inteligência voltadas à preparação de um atentado contra Roberto Medina. Segundo o MP, Victor Hugo informava o outro denunciado Wellison sobre a rotina e informações da vida de Medina, inclusive seu deslocamento e o local de sua casa.

Segundo o MP, VH permanecia em frente a casa da autoridade fotografando a rotina, placas de carros e repassando aos outros acusados, vigiando tambem a esposa do agente em seu local de trabalho.

A denúncia mostra que Victor Hugo é integrante do PCC, atuando na região como “disciplina” e traficando drogas. Ele é o executor operacional do esquema criminoso.

Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o “Corinthinha”

Wellison foi identificado após manter contato por telefone com Victor Hugo, o “VH”, sob o codinome de “Maurício”. O investigado recebeu mensagens, áudios e vídeos que retratavam o percurso físico e os registros de Roberta Medina de sua casa até seu trabalho.    

O investigado enviaria o material captado por “VH” ao “Setor da Restrita”, responsável pela execução dos planos de atentado contra as autoridades. Wellison também monitorava as redes sociais de familiares de Medina, inclusive de crianças da família. 

Em um celular de uma pessoa de confiança do acusado, os investigadores localizaram imagens tanto de Medina, quanto do promotor Lincoln Gakiya. 

“Conthinha” também foi preso em flagrante, em 5 de agosto de 2025, em uma chácara na zona rural de Presidente Bernardes com quase 4 kg de maconha. Ele também é apontado como integrante do PCC e coordenador e operador logístico da célula responsável pelos levantamentos criminosos.

Sérgio Garcia da Silva, o “Messi” ou “Serginho”

O investigado é apontado como integrante do PCC e responsável por realizar levantamentos de informações da rotina de Lincoln Gakiya em Presidente Prudente. Na mesma cidade, “Messi” tinha um imóvel para realizar os trabalhos e missões determinadas pela facção.

A investigação também localizou no telefone de Sérgio a negociação de fuzis, a realização de transações em espécie, negociação de pagamento por meio da entrega de uma pistola e o tráfico de drogas, práticas do PCC. 

Com mais destaque, os agentes identificaram mapas de georreferenciamento com locais precisos, como a sede do Ministério Público de Presidente Prudente, local de trabalho de Gakiya, e trajetos rotineiros do promotor e seus familiares

Segundo o Gaeco, o denunciado manteve contato com o acusado Adilson, o “Ju Machado”, com receio de vazamento de informações e represálias, mencionando ainda uma lista relacionada ao Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), responsável pela escolta de Gakiya. 

Sérgio também já havia sido preso em flagrante por tráfico de drogas em 26 de setembro de 2025. Durante a prisão, agentes apreenderam um celular que se tratava de sua “linha vermelha” com conteúdos criminosos de levantamentos de autoridades. 

Adilson Audinir Oliveira Junior, o “Ju Machado”

É apontado como interlocutor e colaborador direto de Sérgio em tratativas sensíveis vinculadas à organização, sendo responsável por auxiliar na ocultação ou destruição de vestígios digitais e provas incriminatórias. Também é integrante do PCC. 

A identificação de “Ju Machado” ocorreu após a interceptação de duas cartas enviadas pelo denunciado “Messi”, de dentro da prisão, para sua esposa e sua amante. O preso buscava contato com “Ju Machado” para que ele deletasse conteúdos incriminadores de contas digitais.

Preciso que faça um favor pra mim, encosta no Ju, fala pra ele que comprei uns notebook do “luquinhas” irmão do finado “Jhonathan” o último ele que cadastrou e ele deve ter o e-mail lá, fala pra ele tentar entrar pelo e-mail e apagar tudo, resetar o “bagui”…”, escreveu na carta.

Segundo o MP, as provas indicaram que Adilson atuava como parceiro “Messi” em tratativas sensíveis do grupo, com participação na comunicação reservada, ciência do risco decorrente do vazamento de informações, solicitação de exclusão de diálogos e auxílio à ocultação ou destruição de evidências dos crimes. 

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos quatro denunciados. O espaço segue aberto.

Monitoramento de Gakiya com drones

Em 2025, Gakiya afirmou que o PCC chegou a enviar drones para monitorar a residência onde ele mora em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

O núcleo da facção que estava encarregado de levantar a rotina de Gakiya tinha prints de tela de seu caminho para o trabalho e academia, além da locação de um imóvel a apenas 900 metros de sua casa.

O promotor vê ligação desses atos com a execução do ex-delegado geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, em setembro do último ano. Segundo o promotor, o mesmo “salve” enviado pelo PCC determinando a morte de Ruy Ferraz também determinava a execução de Medina e dele próprio.

Condenação por plano de execução

Em fevereiro deste ano, a Justiça de São Paulo condenou Victor Hugo da Silva e outro integrante da facção, identificado como Gabriel Custódio dos Santos, por envolvimento no plano de execução de Gakiya e Medina.

Eles já haviam sido presos preventivamente por tráfico de drogas em outubro de 2025 e foram condenados a cinco anos e sete anos de reclusão em regime inicial fechado, respectivamente.

Na decisão da condenação, a juiza Sizara Corral de Arêa Leão Muniz Andrade, da 3ª Vara Criminal de Presidente Prudente, rejeitou o pedido de recurso em liberdade e manteve a prisão preventiva dos réus.

A magistrada afirma que, visto a ligação de Victor Hugo com a facção, a soltura resultaria na “imediata retomada do tráfico de drogas”. Sobre Gabriel, a juíza cita a reincidência criminal como “perigo gerado pelo estado de liberdade” e ainda uma tentativa de fuga, que revela a “a imprescindibilidade da contenção física para a aplicação da lei penal”.