A jornalista, escritora e sobrevivente da Ditadura Militar Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como “Amelinha”, morreu nesta terça-feira (15). As causas da morte não foram divulgadas.
Nascida em 1944, Amelinha é considerada como um dos principais símbolos de resistência feminina e preservação da memória da ditadura. Em 1972, a jornalista foi presa e levada por agentes do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna) durante a Operação Bandeirantes, em São Paulo.
Na ocasião, ela relatou que sofreu diversas sessões de torturas, incluindo físicas e psicológicas. Os dois filhos de Amelinha, ainda crianças, também foram levados ao local e presenciaram a violência, segundo a ABI (Associação Brasileira de Imprensa).
Integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, ela também atuou como assessora da Comissão Estadual da Verdade em São Paulo e participou das investigações sobre a vala clandestina do Cemitério de Perus, na capital paulista.
Em 1981, ajudou a fundar a União de Mulheres de São Paulo e coordenou o Curso de Promotoras Legais Populares, voltado à formação de mulheres sobre direitos e acesso à Justiça.
A trajetória de Amelinha também esteve ligada à responsabilização por crimes cometidos durante a ditadura. Uma ação judicial movida por sua família contribuiu para que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra fosse reconhecido pela Justiça como torturador.

