A cidade do Rio de Janeiro contabilizou 13 mortes por acidentes com helicópteros em 2026, sendo 11 em menos de dois meses. No último sábado (8), aconteceu o terceiro acidente com esse tipo de aeronave com fatalidades no município. Os dados são do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e estão disponíveis para consulta pública no Painel Sipaer.
No ano passado não houve nenhum acidente fatal com helicópteros na capital fluminense.
A empresa responsável pela aeronave que caiu na região da Vista Chinesa opera voos de vista panorâmicas e fica sediada em um hangar no Aeroporto de Jacarepaguá.
Segundos os relatório o primeiro acidente aconteceu no dia 17/01 e se tratava de um voo para realização de treinamento com dois tripulantes e um passageiro a bordo. Já o segundo foi a ocorrência que vitimou o cantor Oliver Tree, no dia 14/06, quando duas aeronaves colidiram no ar. Por fim, o terceiro ainda não há informações sobre o acidente, apenas que o helicóptero caiu na zona Sul da cidade, próximo a Vista Chinesa e matou quatro pessoas.
Em junho deste ano, após o acidente com o helicóptero que matou o cantor norte-americano, a CNN Brasil teve acesso à um ofício enviado em 9 de dezembro de 2025 pela NAV Brasil (Serviços de Navegação Aérea) — estatal responsável pelo controle do tráfego aéreo — ao Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE), da Força Aérea Brasileira (FAB), que alertou para o aumento do número de voos de helicóptero na região do Aeroporto de Jacarepaguá e destacou o crescimento de voos panorâmicos.
Segundo o alerta, o número de cruzamentos de voos na região próxima ao acidente teve picos de alta superiores a 150% em vários meses de 2025, na comparação com 2024. Os chamados voos cruzados ocorrem quando aeronaves que partem de aeroportos e helipontos distintos se encontram no ar, situação é comum com voos do tipo ‘vista panorâmica’.
Vinculado à FAB, o CRCEA-SE respondeu 14 dias depois, em 23 de dezembro de 2025, ao ofício. Reconheceu a situação e afirmou que mudanças só devem ser implementadas a partir de junho de 2027. “Quanto ao assunto, informo que já estão em andamento as atividades do Projeto de Reestruturação da TMA-RJ (Área de Controle Terminal do Rio de Janeiro) para o desenvolvimento do novo Conceito de Espaço Aéreo da Terminal Rio de Janeiro, com implementação programada para junho de 2027, cujo escopo engloba o estudo da circulação aérea do aeródromo de Jacarepaguá”, diz trecho do documento obtido pela reportagem..
Sobre a questão dos voos de turismo, como o que vitimou as três colombianas, a FAB alegou na resposta: “Informo que, até que seja realizado o estudo com as possíveis modificações da circulação aérea ou mitigações alternativas, será realiza a emissão de NOTAM [Aviso aos Aeronavegantes ] para suspensão de treinamentos e voos do tipo “check/pairados” [modalidade de voo panorâmico] durante a faixa de horária considerada como pico de movimento do aeródromo”.
LEIA MAIS: FAB foi alertada sobre disparada de voos de helicóptero antes de acidente
Entre janeiro e outubro de 2025, o documento registra 141.853 operações controladas em Jacarepaguá. “Desse total, 89.077 corresponderam a operações de pouso e decolagem, e 49.101 a operações de cruzamento, representando, respectivamente, 63% e 34% do volume total de tráfegos atendidos”, aponta o alerta.
-
1 de 7As turistas colombianas Rocio Cubillos, Wendy Manrique e Sofia Murillo morreram após queda do helicóptero • Reprodução
-
2 de 7Família estava viajando pelo Rio de Janeiro • Reprodução
-
3 de 7O ponto da queda da aeronave foi em uma área de mata e de difícil acesso • Reprodução
-
-
4 de 7Piloto do helicóptero, Alessandro Rocha, também morreu no acidente • Reprodução
-
5 de 7A aeronave era um Robinson R44 de prefixo PP-MFS, da empresa VRP (Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos) • Reprodução
-
6 de 7 -
-
7 de 7A perícia será realizada no local e outras diligências ocorrem para apurar as causas da queda da aeronave
Queda na Vista Chinesa
O helicóptero Robinson R44 de prefixo PP-MFS, pertencente à empresa VRP (Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos), caiu e deixou quatro mortos na zona sul do Rio de Janeiro.De acordo com o Corpo de Bombeiros, a aeronave foi localizada pela equipe do Grupamento de Operações Aéreas em uma área de mata e de difícil acesso, na região da Vista Chinesa, dentro do Parque Nacional da Tijuca.
No local, os quatro ocupantes da aeronave foram encontrados mortos, todos carbonizados, tirando o piloto as três passageiras eram colombianas.
- Alessandro Rocha (piloto)
- Rocio Cubillos
- Wendy Manrique
- Sofia Murillo
Fiscalização de voos panorâmicos
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou, neste domingo (9), que está em contato com a Prefeitura do Rio para definir uma atuação conjunta na fiscalização de voos panorâmicos na cidade, após pedido do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), realizado no dia da queda.
O prefeito pediu à Anac medidas imediatas e citou a possibilidade de suspender temporariamente os voos panorâmicos, por uma ou duas semanas, para que a agência realize uma fiscalização mais intensa. Cavaliere afirmou que o aumento do número de voos panorâmicos e de operações de táxi aéreo no Rio de Janeiro não pode ser considerado normal.
O prefeito também disse que, de acordo com informações repassadas pelo presidente da Anac, a aeronave envolvida no acidente tinha autorização para realizar voos panorâmicos regularmente.
LEIA MAIS: MPT dá prazo para Anac definir norma sobre fadiga de pilotos brasileiros
Outro lado
Segundo a FAB, o objetivo da restruturação do espaço aéreo do Rio de Janeiro para 2027, tem como objetivo “otimizar as trajetórias de voo, tornando-as mais eficientes, precisas e padronizadas, com vistas à otimização dos fluxos de chegada e saída por operação IFR (por instrumentos)”.
Ainda no posicionamento, há menção ao ofício mencionado pela CNN Brasil.
“As tratativas dizem respeito exclusivamente ao aumento da movimentação de helicópteros em cruzamentos na Zona de Tráfego de Aeródromo (ATZ) de Jacarepaguá, o que implica maior demanda de coordenação e comunicação com a Torre de Controle de Jacarepaguá para a prestação do serviço de controle de tráfego aéreo. Nesse contexto, foram adotadas medidas por meio de NOTAM ( Aviso aos Aeronavegantes), com o objetivo de incrementar a segurança das operações de pouso e decolagem em no aeroporto de Jacarepaguá, especialmente no que se refere aos cruzamentos de tráfego no local”, afirma a FAB.
*Com informações de Helena Barra e Camile Barbosa
Cantor Oliver Tree é um dos mortos em acidente aéreo no Rio; veja vítimas

