Quase dois anos após o crime, teve início nesta segunda-feira (22) o julgamento dos policiais militares acusados pela morte do delator do PCC (Primeiro Comando da Capital) Vinicius Gritzbach, de 38 anos, assassinado a tiros em novembro de 2024, enquanto desembarcava no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Com duração prevista de cinco dias, o julgamento ocorre no Fórum Criminal de Guarulhos e tem como réus Denis Antonio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva, apontados pelo Ministério Público como envolvidos na execução de Gritzbach.
Os três respondem por homicídio qualificado pelas mortes de Gritzbach e do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, atingido durante o atentado. Os PMs também são acusados de duas tentativas de homicídio, já que outras duas pessoas ficaram feridas na ação.
A expectativa é que o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri anuncie a decisão até a sexta-feira (26).
Relembre a morte
Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro de 2024, após um acordo de delação premiada com o Ministério Público, o qual fornecia informações de esquemas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras e imóveis de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).
O ataque ocorreu durante a tarde, por volta das 16h, quando os atiradores dispararam 27 vezes no local, sendo dez contra o delator. Os réus, julgados nesta semana em São Paulo, estavam com o carro estacionado, à espera da vítima.
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1 de 21Aeroporto de Guarulhos tem tiroteio; empresário ligado ao PCC é morto • Reprodução
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2 de 21Aeroporto de Guarulhos tem tiroteio; empresário ligado ao PCC é morto • Reprodução
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3 de 21Imagens de câmera de segurança mostram o momento do tiroteio. • Reprodução
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4 de 21Imagens de câmera de segurança mostram o momento do tiroteio. • Reprodução
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5 de 21Imagens de câmera de segurança mostram o momento do tiroteio. • Reprodução
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6 de 21Aeroporto de Guarulhos tem tiroteio; empresário ligado ao PCC é morto • Reprodução
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7 de 21Aeroporto de Guarulhos tem tiroteio; empresário ligado ao PCC é morto • Reprodução
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8 de 21Aeroporto de Guarulhos tem tiroteio; empresário ligado ao PCC é morto • Reprodução
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9 de 21Imagens de câmera de segurança mostram o momento do tiroteio. • Reprodução
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10 de 21Celso Araújo com seus dois filhos. • Reprodução/Redes sociais
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11 de 21Celso Araujo Sampaio de Novais, morto no ataque no Aeroporto de Guarulhos.
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12 de 21Aeroporto de Guarulhos tem tiroteio; empresário ligado ao PCC é morto • Reprodução
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13 de 21Imagem mostra local onde atentado ocorreu, no Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos • Reprodução/Google StreetView
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14 de 21Imagens de câmera de segurança mostram o momento do tiroteio. • Reprodução
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15 de 21Imagem mostra mapa da área de desembarque do Terminal 2, onde ocorreu o atentado na tarde desta sexta (8)
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16 de 21Imagem mostra mapa da área de embarque do Terminal 2, onde ocorreu o atentado na tarde desta sexta (8) • Reprodução
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17 de 21O empresário Vinicius Gritzbach, que estava jurado de morte pelo PCC, morreu após atentado no Aeroporto de Guarulhos, na tarde desta sexta (8) • Reprodução/Redes Sociais
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18 de 21Antônio Vinicius Gritzbach foi morto no Aeroporto de Guarulhos • Reprodução
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19 de 21Imagens de câmera de segurança mostram o momento do tiroteio. • Reprodução
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20 de 21Kauê do Amaral Coelho, de 29 anos, olheiro do PCC • Reprodução
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21 de 21Kauê foi flagrado por câmeras de segurança do aeroporto de Guarulhos no dia da morte de delator do PCC • Reprodução
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Gritzbach voltava de viagem com a namorada e realizava o desembarque no aeroporto quando foi atacado a tiros. As imagens das câmeras de segurança mostram ele levando uma mala de rodinhas quando é surpreendido pelos atiradores. Ele tenta fugir, mas é atingido pelos disparos e cai perto da faixa de pedestres.
Durante o ataque, Celso Araujo Sampaio de Novais, motorista de aplicativo, foi atingido pelos disparos e não resistiu aos ferimentos. Além dele, o atentado deixou outras pessoas feridas.
Delação premiada
Em seu acordo de delação firmado com o Ministério Público, Gritzbach teria revelado nomes de policiais militares e civis suspeitos de extorquir criminosos. O assassinato revelou uma enorme “teia do crime” que expôs o envolvimento de agentes públicos com a principal facção criminosa da América Latina.
Veja suposta “teia do crime”
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1 de 16Vítima Fatal - Antônio Vinícius Gritzbach - Ex-colaborador do PCC, foi executado a tiros ao desembarcar de um voo no Aeroporto de Guarulhos. Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens armados descendo de um veículo preto e efetuando os disparos • Reprodução
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2 de 16Vítima Fatal - Celso Araújo Sampaio de Novais - O motorista de aplicativo morto a tiros no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 8 de novembro de 2024 • Reprodução
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3 de 16Vítima - Willian Souza Santos - O funcionário de uma terceirizada do aeroporto Willian Sousa Santos, de 39 foi atingido no meio do tiroteio • Reprodução
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4 de 16Vítima - Samara Lima de Oliveira - A técnica Samara Lima de Oliveira, de 28 anos foi atingida no meio do tiroteio • Reprodução
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5 de 16Executor - Ruan Silva Rodrigues - O soldado foi identificado como um dos executores do homicídio • Reprodução
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6 de 16Motorista - Fernando Genauro - O tenente foi identificado como o motorista do Gol que levava os executores do homicídio • Reprodução
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7 de 16Executor - Denis Antonio Martins - O cabo foi identificado como um dos executores do homicídio • Reprodução
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8 de 16Olheiro - Kaue do Amaral Coelho - Homem, comparsa dos mandantes, teria atuado como olheiro no aeroporto, segundo as investigações • Reprodução
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9 de 16Mandante - Emílio Carlos Gongorra Castilho - O traficante do PCC João Cigarreira é apontado como o mandante do assassinato do empresário Vinícius Gritzbach, no Aeroporto de Guarulhos, em 8 de novembro de 2024. Cigarreiro teria sido roubado pelo empresário, após Gritzbach desfalcar a facção criminosa em milhares de reais quando lavava dinheiro para o PCC • Reprodução
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10 de 16Mandante - Diego dos Santos Amaral - Conhecido como “Didi”, é o segundo suspeito de orquestrar a morte do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Polícia Civil, o criminoso também é suspeito de relações com a facção criminosa e do envolvimento com tráfico de drogas • Reprodução
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11 de 16Apoio - Tiago da Silva Ramos - Foi apontado como integrante da equipe que apoiou o crime • Reprodução
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12 de 16Apoio - Michel de Araújo Silva - Foi apontado como integrante da equipe que apoiou o crime • Reprodução
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13 de 16Apoio - Matheus Soares Brito - Foi apontado como integrante da equipe que apoiou o crime • Reprodução
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14 de 16Apoio - Gleidson de Araújo Silva - Popularmente conhecido como "Quietinho", o homem foi apontado como integrante da equipe que apoiou o crime • Reprodução
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15 de 16Apoio - André Luiz F. Rodrigues - Popularmente conhecido como "Decão", o homem foi apontado como integrante da equipe que apoiou o crime • Reprodução
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16 de 16Apoio - Alan Hilário Lopes - Popularmente conhecido como "Rala", o homem foi apontado como integrante da equipe que apoiou o crime • Reprodução
Em um de seus depoimentos, o empresário denunciou, inclusive, o envolvimento do investigador da Polícia Civil Marcelo Marques de Souza, conhecido como Marcelo “Bombom”, que foi condenado a 11 anos e 3 meses, em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Bombom, que mantinha contato com Gritzbach, recebia propina de prostíbulos, desmanches e casas de jogo na zona Leste de São Paulo, no esquema conhecido como “recolhe”.
À época, a Polícia Civil de São Paulo encerrou o inquérito apontando o motivo do assassinato como “vingança”, enquanto o MPSP (Ministério Público de São Paulo) classificou o crime como uma forte represália do PCC e um “recado” da facção.
O que sabemos sobre execução de Gritzbach, delator do PCC
Motivação do crime
A motivação do crime, segundo a polícia, estaria ligada a vingança e disputas financeiras envolvendo lavagem de dinheiro e criptomoedas.
As investigações indicam que Emílio Carlos Gongorra, conhecido como “Cigarreira”, de 44 anos, teria ordenado o crime com o apoio de Diego Amaral, o “Didi”, e de um olheiro chamado “Kauê”.
Apontado por ligação com o Comando Vermelho, Cigarreira teria contratado os policiais por meio do olheiro. Dois deles atuaram como atiradores e o terceiro conduziu o veículo de fuga. A Polícia Civil afirmou que cruzamentos de dados e imagens confirmaram a presença dos executores no local do homicídio.
Laudos periciais indicaram que a munição usada na execução do delator era da Polícia Militar de São Paulo. Além disso, foram identificados a presença de DNA de dois PMs em veículos e roupas relacionados ao assassinato.
Os policiais militares Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues, foram identificados como os atiradores; e Fernando Genauro da Silva, foi denunciado como motorista do automóvel utilizado na execução de Gritzbach.
Ao todo, 18 PMs tornaram-se réus, sendo que 14 deles seguem presos no Presídio Militar Romão Gomes.
As denúncias de Gritzbach ainda levaram à Operação Tacitus, que mirou a desarticulação de uma organização criminosa de lavagem de dinheiro. O Gaeco denunciou donos de fintechs por lavagem de dinheiro para o PCC, indicando uma movimentação de pelo menos R$ 6 bilhões usando fintechs.
O que diz a defesa dos réus
Pouco antes do júri popular dos policiais militares acusados de participação na morte de Vinicius Gritzbach, a defesa dos réus Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues protocolaram um parecer técnico. O documentocontesta a perícia e a confiabilidade das provas genéticas obtidas durante o processo.
De acordo com o parecer, obtido pela CNN Brasil, houve falhas procedimentais no laudo pericial realizado no veículo VW Gol — usado pelos executores no dia do crime, sob a ótica do relatório final da Câmara Técnica de Vestígios Biológicos. O carro, encontrado abandonado próximo ao aeroporto, foi preservado e periciado no local.
A defesa dos réus, por meio de nota, afirmou que “o Parecer Técnico comprova, de forma científica e inequívoca, os graves erros cometidos durante a fase de investigação, falhas que resultaram na indevida acusação de pessoas inocentes”.
Por outro lado, o Ministério Público de São Paulo afirmou à CNN Brasil que a “defesa juntou parecer técnico encomendado para questionar, um ano e sete meses após o crime, o resultado imparcial do laudo pericial confeccionado por um órgão oficial, autônomo e independente”. Leia na íntegra:
“A defesa juntou parecer técnico encomendado para questionar, um ano e sete meses após o crime, o resultado imparcial do laudo pericial confeccionado por um órgão oficial, autônomo e independente.Aliás, nenhum dos três réus, presos há mais de um ano, concordou em oferecer material genético para a realização do referido exame, e mesmo assim o resultado é incontroverso: O DNA de Ruan e Denis foi encontrado no veículo e objetos abandonados.“

