O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) vai passar por audiência de custódia neste sábado. Segundo o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), a sessão deve acontecer ainda na tarde de hoje.
Milton é investigado no âmbito da operação Vectura Corrupta, deflagrada na última quinta-feira (17), que apura a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Milton chegou a ser considerado foragido após não ter sido encontrado durante o cumprimento de um mandado de prisão. O político chegou a emitir uma nota afirmando que estava viajando. Na manhã desta sexta, a Polícia Civil tentou prendê-lo novamente na residência de um assessor ligado a ele em Sorocaba.
No local, foram apreendidos R$ 287 mil e US$ 89 mil, mas Milton não foi encontrado. Na tarde de sexta-feira (18), o ex-vereador se entregou à polícia.
“Não cometi crime”
Após se entregar, Milton Leite negou ter envolvimento com o PCC e afirmou que provará sua inocência no âmbito do inquérito que investiga sua participação no esquema.
“Eu sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na Justiça e no trabalho da polícia. Temos a oportunidade agora de provar tudo o que foi dito, a gente tem a oportunidade da contrapartida por meus advogados e a gente vai aguardar essa decisão pacientemente”, afirmou ele.
Questionado sobre um suposto arrependimento de ter feito parte do esquema, Milton Leite negou ter cometido algum crime: “Só se arrepende quem comete crime. Eu não cometi crime nenhum, nada devo”, declarou.
Milton também foi questionado sobre estar foragido e informou que se apresentou à delegacia, conforme tinha prometido em uma nota divulgada à imprensa: “Eu estava no interior, fui lá e voltei. Eu estava em Sorocaba”, disse.
Investigações
Além de Milton, o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL), o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e três advogados foram alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Civil.
De acordo com a investigação, pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo que operam na cidade de São Paulo foram identificadas como alvos de controle do PCC com participação direta dos políticos.
Segundo o MP, Milton Leite é citado nominalmente nos autos da investigação como o “responsável direto” pelas operações de companhias integradas ao esquema.
Além disso, declarações de policiais militares prestadas ao Tribunal de Justiça Militar (TJM) o apontam como o “dono de fato” da concessionária Transwolff, a principal companhia citada no esquema.
Em interceptações telefônicas entre membros do PCC, o Ministério Público encontrou conversas de que seria necessário “envolver Milton Leite” para resolver impasses das empresas investigadas.
Outro lado
Na nota enviada à imprensa antes de se apresentar na Delegacia, Milton Leite sustenta que sua relação com o setor de transportes ocorreu de forma pública em 2019, a pedido do então prefeito Bruno Covas.
“Nego veementemente todas as acusações e vou provar minha inocência. A minha atuação em relação ao setor de transportes se deu a pedido do então prefeito Bruno Covas, em 2019, já que naquela ocasião, como presidente da Câmara, eu ocupava também a função de vice-prefeito na linha sucessória. É público, inclusive, que eu atuei em negociações envolvendo greves no setor.”
A CNN Brasil pediu um novo posicionamento à defesa e aguarda contato. O espaço segue aberto.

