O júri popular dos policiais militares Renato Torquatto e Robson Noguchi segue nesta quinta-feira (30). O início da sessão está marcado para as 11h.

Os agentes são acusados de matar a tiros o jovem Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, em 10 de julho de 2025, na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. O primeiro dia de julgamento ocorreu na última terça-feira (28), com início às 13h, e foi suspenso às 23h. Ao todo, oito testemunhas foram ouvidas.

Na quarta-feira (29), os trabalhos foram retomados às 10h40. Mais duas testemunhas foram ouvidas e, em seguida, os réus foram interrogados.

Neste terceiro dia, o júri está na fase de debates, etapa em que acusação e defesa apresentam seus argumentos finais.

De acordo com a defesa dos acusados, caso o promotor apresente réplica, o julgamento poderá se estender até mais tarde.

Entenda o caso

De acordo com a denúncia, os policiais militares iniciaram uma perseguição a suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, que se esconderam em um quarto de uma residência. Segundo os agentes, eles estariam armados.

Ao serem localizados atrás de uma cama, os policiais ordenaram que os homens colocassem as mãos na cabeça, ordem que foi atendida pelos suspeitos, incluindo a vítima, que se rendeu.

A promotoria afirma que, mesmo com a rendição, Renato Torquatto da Cruz disparou contra Igor enquanto ele estava com as mãos levantadas e apoiadas na cabeça. Na sequência, o outro policial, Robson Noguchi de Lima, atingiu o jovem com um disparo de espingarda.

Os réus Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus foram denunciados pelo mesmo crime, embora os disparos fatais tenham sidos provenientes dos outros dois agentes. Para a justiça, os militares concorreram, de qualquer modo, para a prática do crime, prestando auxílio moral e material aos executores.

Além disso, ambos teriam participado da abordagem e rendição dos suspeitos, também efetuando disparos de arma de fogo dentro do quarto onde Igor foi morto.

Segundo testemunhas, os policiais adentraram o cômodo gritando e perguntaram se Igor tinha passagem criminal. Ao ouvirem a negativa, ordenaram que ele se levantasse e, no momento em que ele ficou de pé com as mãos estendidas, iniciaram os tiros.

Em um dos depoimentos, uma testemunha relatou que não havia arma e nem droga no local. Em setembro do ano passado, o laudo pericial apontou que o policial militar Renato Torquatto da Cruz foi o autor dos disparos que mataram Igor Oliveira. 

Na época, Jonatha Carvalho Matos e Gabriela Amoras Silva, advogados da família, ressaltam que trabalham por justiça e que Igor não ofereceu riscos para ter recebido os disparos. Veja a nota na íntegra:

“A gente tá trabalhando por justiça, tendo em vista que foi um fato que devastou tanto a comunidade, quanto seus familiares, uma vez que o Igor não ofereceu risco algum para receber aqueles disparos. Nossa briga não é com a instituição Polícia Militar, tendo em vista que e extremamente importante para a segurança pública, mas sim contra os 4 policiais, que, ao nosso ver, se excederam e mancharam o nome da corporação com tamanha atrocidade”

O que diz a defesa

A defesa dos policiais afirma que um dos indivíduos fez menção de sacar uma arma e, por isso, os policiais efetuaram os disparos.

Nos autos do processo, a defesa de Hugo e Renato pediu a absolvição sumária, sustentando legítima defesa. A defesa de Robson e Victor Henrique também pleitearam absolvição sumária.

À CNN Brasil, o advogado dos réus Robson e Victor, que seguem presos, afirmou que as câmeras corporais não demonstraram a realidade. “A defesa pretende demonstrar aos jurados a legalidade da ação policial, eis que as câmeras corporais não mostraram a realidade”, diz a nota.