Foi confirmada a morte de uma menina de 12 anos em um ataque a tiros em uma escola ao norte de Bangkok, capital da Tailândia, na sexta-feira (7). Os disparos também mataram cinco professores e foi um dos ataques mais letais desse tipo nos últimos anos.

A morte dela eleva para oito o número total de mortos, incluindo os avós do suposto atirador, que morreram antes dele seguir para a escola.

O suspeito, de 14 anos, invadiu a Escola Debsirin Nonthaburi, onde também estudava, na manhã de sexta-feira (horário local), antes de apontar a arma contra si mesmo.

A polícia informou que ele também matou os avós na casa onde vivia com eles.

Neste sábado (8), as autoridades informaram que uma estudante de 12 anos morreu em decorrência dos ferimentos, sendo a primeira criança cuja morte no ataque foi confirmada.

A escola de ensino médio divulgou um comunicado assim que a notícia de sua morte foi anunciada, expressando “profundas condolências e profundo pesar” pelo seu falecimento.

Na sexta-feira, a escola publicou em seu site uma homenagem comovente aos cinco funcionários mortos no tiroteio, acompanhada de suas fotos em preto e branco, afirmando que a “bondade e virtude” e o “espirito de professores” deles permanecerão para sempre em nossas memórias.

As vítimas foram identificadas como: o vice-diretor Kittipong Somrat; a professora de matemática Prapaporn Konsila; a professora de língua tailandesa Nantchanatporn Nakplang; a orientadora educacional Tiwaporn Wanich; e a secretária Saifon Sirikitchakajorn.

Nantchanatporn, que já havia sido aluna da escola, foi descrita como uma professora “muito querida” que dedicou sua vida “completamente” à instituição, segundo relatos da imprensa local.

Apenas dois dias antes do ataque, Tiwaporn havia recebido um certificado de professora de destaque, informou o veículo de notícias Khaosod English, sediado em Bangkok.

O primeiro-ministro da Tailândia, Auntin Charnvirakul, disse que o ataque poderia ter sido muito pior se o suspeito de efetuar os disparos tivesse continuado a ação, uma vez que ele ainda tinha mais de 30 cartuchos de munição.

Quanto a uma possível motivação, Charnvirakul disse que o suspeito vinha enfrentando estresse relacionado aos estudos.

O pai do menino, cuja identidade a CNN não divulgará ate que as autoridades identifiquem seu filho, disse mais tarde à CNN que não fazia ideia do motivo pelo qual o garoto realizou o ataque e que ele tinha um “bom desempenho escolar”.

Ele afirmou que seu filho é “culpado”, mas que não sabe por que o menino teria cometido o ataque.

Um socorrista não identificado disse à agência de notícias Reuters que “foi um caos total” quando chegaram ao local, onde prestaram primeiros socorros a estudantes com ferimentos nas costas, no peito e nos braços.

Alunos relatam momento do ataque

Usando o que a polícia afirmou ser a pistola de seu avô, o suspeito abriu fogo na conhecida escola de ensino médio, que conta com cerca de três mil alunos, situada em uma rodovia movimentada no distrito de Bang Kruai, na província de Nonthaburi.

O primeiro-ministro disse mais tarde aos repórteres que o atirador havia morrido após voltar a arma contra si mesmo.

O suspeito estava anteriormente em estado crítico após o tiroteio, recebendo atendimento de emergência dos médicos.

Um estudante de 18 anos disse à Reuters que, a princípio, achou que fossem bombinhas estourando. “Depois, começou a ficar mais frequente, tipo ‘bang, bang, bang’, e então houve um momento de silêncio. E os tiros recomeçaram”, disse ele.

Outro aluno disse que, no começo, ouviu o que pensou ser alguém atirando em pássaros durante a aula de inglês. Um pouco depois, outra criança entrou correndo para avisar sobre o ataque.

A turma correu imediatamente para barricar a sala, empurrando mesas e cadeiras contra a porta e apagando as luzes. Ao olhar pela janela da sala de aula, o estudante disse ter visto o atirador armado caminhando em direção ao prédio onde sua classe estava.

As pessoas que estavam na sala se agacharam no chão, na escuridão, aguardando ajuda por 30 minutos. “Felizmente, ninguém da nossa sala ficou ferido. O atirador apenas passou pela nossa sala”, disse ele, segundo o Khaosod English, um veículo de notícias sediado em Bangkok.

Pais preocupados correram para a escola à medida que a notícia do tiroteio se espalhava.

O filho de Karla Cripps, produtora sênior de viagens da CNN, estuda na escola, mas estava no exterior no momento do tiroteio, que começou por volta das 10h, horário local.

“Meu filho me ligou do Japão, desesperado, dizendo que tinha ouvido falar de um ataque a tiros na escola dele. Os alunos receberam ordens para se trancar nas salas de aula e, obviamente, ele estava muito abalado”, disse Cripps, do lado de fora da escola.

A produtora afirmou que havia uma “atmosfera muito triste” na escola, com ambulâncias entrando e saindo sem parar e pais consolando seus filhos.

“Meu filho soube que o irmão do amigo dele está no hospital agora. Ele está entre os feridos…Tem sido terrível para todo mundo”, completou ela.

Antes de realizar o ataque, o suspeito havia pesquisado e acessado sites relacionados a tiroteios em massa, informou a polícia.

As autoridades apreenderam nove computadores ou dispositivos eletrônicos na residência do suspeito como parte da investigação.

A agência da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) afirmou que a pouca idade do suspeito levanta “questões difíceis” para a sociedade, ao mesmo tempo em que pediu melhores serviços de saúde mental para crianças após o ataque.

O vice-primeiro-ministro da Tailândia, Yodchanan Wongsawat, disse na sexta-feira (7) que um novo plano de ação de saúde mental para apoiar professores e alunos seria anunciado após o tiroteio.

Enquanto isso, o Ministério da Educação do país prometeu medidas de segurança mais rigorosas nas escolas, especialmente para impedir a entrada de armas e outros itens perigosos nas dependências escolares, além de um plano de indenização para os afetados.

Alta taxa de posse de armas

A posse de armas na Tailândia é elevada em comparação com outros países do Sudeste Asiático.

Havia mais de 10,3 milhões de armas de fogo em posse de civis na Tailândia — ou cerca de 15 armas para cada 100 habitantes —, segundo dados de 2017 da organização SAS (Small Arms Survey), sediada na Suíça.

A Tailândia é o país do Sudeste Asiático com o segundo maior número de homicídios por arma de fogo, atrás apenas das Filipinas, segundo dados de 2019 do estudo Carga Global de Doenças, realizado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington.

Em fevereiro, um professor morreu e um aluno ficou ferido no distrito de Hat Yai, no sul da Tailândia, após um homem armado abrir fogo em uma escola. Em 2022, 36 pessoas — sendo 24 delas crianças — foram mortas em um massacre em uma creche no nordeste do país, episódio considerado o mais letal desse tipo já ocorrido na nação.