O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (20) que o presidente Donald Trump não ordenou mudanças no compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia e defendeu a comunicação entre as três maiores potências nucleares do mundo – EUA, Rússia e China.

As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre Washington e Kiev e à falta de avanços nas negociações para encerrar a guerra.

Rubio disse que conversou por 45 minutos com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nesta terça-feira. Segundo o secretário, a cooperação militar e o compartilhamento de informações de inteligência dos EUA com a Ucrânia permanecem inalterados.

“O presidente deixou muito claro que não ordenou nenhuma mudança desse tipo”, afirmou Rubio durante uma visita à Índia. Ele classificou como “escandalosas” e “ultrajantes” as alegações de que ucranianos estariam morrendo porque Washington estaria retendo informações.

Zelensky, por sua vez, diz que teve uma conversa “substancial” com o secretário de Estado. Em uma publicação no X, Zelensky divulgou que as conversas abordaram interceptadores de mísseis balísticos, alertas antecipados sobre ataques russos e a situação dos serviços de satélite Starlink e Starshield, que, segundo ele, “precisa ser restabelecida”.

Avisos de ataques suspensos

Zelensky havia afirmado que os militares ucranianos não receberam alertas de seus parceiros sobre ataques russos com mísseis balísticos em quatro ocasiões na última semana.

Rubio disse que as informações divulgadas sobre uma possível interrupção dos alertas “simplesmente não são precisas” e que o problema pode ter sido técnico, relacionado à capacidade dos ucranianos de responder aos avisos.

Rubio também rebateu as acusações de que os Estados Unidos estariam prejudicando deliberadamente a Ucrânia. Segundo ele, Trump ficou frustrado com as alegações porque “não gosta de ser responsabilizado por coisas que não são verdadeiras, incluindo acusações de que, de alguma forma, ele teria ordenado a interrupção do compartilhamento de informações de inteligência”.

O secretário também comentou o fornecimento de interceptadores de defesa aérea à Ucrânia. Zelensky frequentemente pede mais mísseis Patriot aos Estados Unidos e a seus aliados, mas Rubio afirmou que a demanda por esse tipo de armamento é mundial.

“Todos os outros países do mundo” também querem essas armas, disse Rubio. “Também conversei com a Arábia Saudita hoje. Eles querem interceptadores. Israel quer interceptadores.”

Negociações trilaterais

Sobre as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, Rubio afirmou que Trump está “certamente irritado e frustrado com a falta de progresso nessas negociações, depois de ter dedicado quase dois anos a elas”. O presidente americano sugeriu na semana passada que o líder russo, Vladimir Putin, era mais fácil de negociar do que Zelensky, levando o presidente ucraniano a questionar se Trump estava tomando o lado da Rússia no conflito.

Em outra declaração nesta terça-feira, Rubio defendeu a comunicação entre os Estados Unidos, a Rússia e a China sobre armas nucleares. Para o secretário, uma conversa entre os líderes das três potências seria positiva para a estabilidade internacional.

“As pessoas precisam amadurecer um pouco quando se trata de política externa”, disse Rubio a jornalistas em Mumbai, na Índia. “Francamente, não acho incomum que os líderes das três nações com os maiores arsenais nucleares do planeta se comuniquem. Acho que isso faz todo o sentido do mundo.”

Rubio também rejeitou o argumento de que conversar com outro país significa fazer concessões ou recompensá-lo. “Também temos um presidente que, com razão, não considera conversar com alguém uma concessão”, afirmou. “Ouço pessoas na televisão dizendo: ‘Ah, vocês estão recompensando fulano ao conversar com ele’. Bem, isso é absurdo.”

O secretário reconheceu, porém, que há muitas “diferenças e divergências entre os três países” e disse não saber se a China está disposta a participar de conversas desse tipo.

A possibilidade de uma reunião trilateral já havia provocado críticas da Ucrânia. Na segunda-feira (19), o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andriy Sybiha, afirmou que um encontro entre Rússia, China e Estados Unidos “encorajaria (Vladimir) Putin a continuar esta guerra”. A declaração ocorreu após o governo Trump mencionar a possibilidade de conversas entre os três países. Rubio confirmou anteriormente que houve discussões sobre a realização de uma reunião desse tipo.

O que é o sistema de defesa Patriot dos Estados Unidos?