Dados apontam que uma em cada quatro pessoas poderá sofrer um AVC ao longo da vida. Além disso, mais de 80 mil pessoas morreram em decorrência do derrame, como é conhecido popularmente, em 2025, o que torna o Acidente Vascular Cerebral uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo.  

Os números são da 79ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada na Suíça entre os dias 18 e 23 de maio de 2026. Na ocasião, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a primeira resolução da entidade dedicada exclusivamente ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

A decisão estabelece diretrizes para que os países ampliem ações de prevenção, diagnóstico precoce, atendimento emergencial e reabilitação de pacientes afetados pela situação, que atualmente representa a segunda principal causa de morte no mundo e uma das maiores causas de incapacidade permanente.  

Segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil, 85.857 pessoas morreram em decorrência da doença em 2025 

Como acontece o Acidente Vascular Cerebral (AVC)? 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como Acidente Vascular Encefálico (AVE) ou popularmente como derrame, acontece quando há uma alteração no fluxo sanguíneo cerebral, comprometendo a circulação em uma região do encéfalo, formado pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico.  

Existem dois principais tipos de AVC. O mais frequente é o isquêmico, que atinge cerca de 85% dos casos. Ele ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro, e quando diagnosticado e tratado precocemente, tem grande potencial de reversão das sequelas. 

Já o hemorrágico, é mais grave e pode levar ao coma. Na maioria dos casos, é provocado pela ruptura de pequenas artérias decorrente da hipertensão arterial ou, por malformações vasculares.  

“O AVC isquêmico é o mais comum, correspondendo a cerca de 80% dos casos, enquanto os hemorrágicos representam aproximadamente 20%”, explica o neurocirurgião Dr. Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema. 

O tempo é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento do AVC, visto que quanto mais rápido o paciente recebe atendimento especializado, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas permanentes. 

Meios de prevenção  

O AVC pode ser prevenido por meio do controle dos principais fatores de risco, como hipertensão arterial, obesidade, sedentarismo, tabagismo, diabetes e colesterol elevado, segundo o especialista Dr. Orlando Maia.  

“O sedentarismo é um importante fator de risco. Estudos mostram que pessoas fisicamente ativas têm cerca de 33% menos chances de sofrer um AVC. Mais de um terço dos casos ocorre em indivíduos que não praticam atividade física regularmente. A recomendação é realizar exercícios moderados por 20 a 30 minutos, pelo menos cinco vezes por semana. Além de fortalecer o corpo, a atividade física contribui para a saúde cerebral”, destaca.  

O AVC em pessoas cada vez mais jovens  

O especialista também chama atenção para a mudança no perfil dos pacientes acometidos pela doença, com aumento da incidência entre pessoas mais jovens. Segundo a Organização Mundial do AVC (World Stroke Organization – WSO), quase 2 milhões de pessoas entre 18 e 49 anos sofrem um acidente vascular cerebral anualmente.  

“Recentemente, as associações americanas de cardiologia e AVC publicaram novas diretrizes para o tratamento do AVC isquêmico, incluindo recomendações específicas para crianças e adolescentes”, acrescenta. 

Principais alertas do AVC  

O Dr. Orlando Maia ainda apresenta alguns dos principais sinais de alerta do AVC: 

  • Confusão mental súbita; 
  • Alteração da fala ou dificuldade de compreensão; 
  • Alterações visuais; 
  • Dor de cabeça intensa e repentina, sem causa aparente; 
  • Tontura e perda de equilíbrio; 
  • Fraqueza, dormência ou formigamento no rosto, braço ou perna, especialmente em apenas um lado do corpo.