Um estudo conduzido no Brasil testa uma estratégia para prevenção de AVC e outros eventos cardiovasculares por meio de uma polipílula, que junta dois remédios usados para pressão arterial e um para colesterol. A pesquisa também busca entender se a simplificação do tratamento é capaz de reduzir fatores de risco do declínio cognitivo e da demência.

A pesquisa é conduzida pelo Hospital Moinho dos Ventos no Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério da Saúde, e conta com a participação da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O projeto está recrutando voluntários para testes na segunda etapa de implementação, com previsão de mais de 8 mil participantes.

Segunda fase

A análise tem como público-alvo pessoas que ainda não apresentam alto risco cardiovascular, mas possuem níveis de pressão arterial sistólica entre 121 e 139 mmHg, faixa em que o risco de infarto e AVC começa a crescer progressivamente.

A expectativa dos pesquisadores é acompanhar todos os participantes por um período mínimo de três anos, avaliando os efeitos da polipílula e também estratégias voltadas à promoção de hábitos de vida saudáveis, como alimentação adequada, prática de atividade física e interrupção do tabagismo.

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A fase atual expande os achados positivos do estudo. Na primeira etapa, os participantes, que foram acompanhados por nove meses, apresentaram redução significativa da pressão arterial sistólica, melhora nos indicadores de saúde cardiovascular e maior adesão à prática de exercícios físicos.

Agora, o estudo foi ampliado para uma etapa de maior escala, que avaliará também possíveis impactos sobre a função cognitiva dos participantes, investigando se a pílula pode contribuir para a prevenção do declínio cognitivo e da demência.

AVC no Brasil

O Brasil é um dos países com a maior população afetada por AVC (Acidente Vascular Cerebral) no mundo, segundo dados da SBAV (Sociedade Brasileira de AVC). No país, a doença se tornou uma das principais causa de mortes, ultrapassando a média global.

Segundo a associação, entre janeiro e março de 2026, o total de mortes por AVC foi de 20.461, o que representa cerca de 229 por mês, ou seja, 9 mortes a cada uma hora pela doença.

No ano passado, este número chegou ao total de 89.490, perdendo apenas para óbitos por infarto, que totalizaram 91.912 casos, segundo o levantamento do Ministério da Saúde.

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