O atacante Kenzo Kies, de 21 anos, teve a morte cerebral declarada após se afogar no rio Ródano, na região de Lyon, na França. O atleta do En Avant Guingamp foi resgatado em estado gravíssimo após ser levado por uma correnteza, mas não resistiu às consequências da parada cardiorrespiratória prolongada.
A morte cerebral (ou encefálica) é caracterizada por uma lesão definitiva e irreversível em todo o encéfalo, o que inclui o cérebro e o tronco cerebral.
Entenda diagnóstico
Segundo especialistas, o diagnóstico representa o fim da vida biológica, pois o órgão perde a capacidade de manter as funções vitais do corpo de forma autônoma.
“Acontece quando ocorre uma lesão definitiva e irreversível no órgão, ou seja, no encéfalo, tronco cerebral e no cérebro. Durante um período, o restante dos órgãos continua funcionando, obviamente sob auxílio de aparelhos como ventilação mecânica e drogas vasoativas, que são medicamentos que mantêm a pressão arterial funcionando. Muitas vezes, há ainda a necessidade de se dar um pouco de hormônio para o paciente não perder tanta urina. Mas depois de um determinado tempo, todos os órgãos deixam de funcionar”, explicou o neurocirurgião Fernando Gomes.
Suporte artificial e falência dos órgãos
Embora o coração possa continuar batendo temporariamente com o auxílio de ventilação mecânica e medicamentos específicos, o quadro é irreversível.
Esses recursos técnicos mantêm a oxigenação dos órgãos por um período limitado, mas, após a constatação da morte encefálica, o funcionamento sistêmico do corpo cessa por completo em pouco tempo.
Em casos de afogamento, como o de Kies, a falta de oxigenação compromete os neurônios rapidamente. Estudos indicam que o cérebro pode apresentar picos de atividade elétrica (ondas gama) instantes antes e depois da morte, mas tais oscilações param de ocorrer com a falência definitiva das funções neurais.
Entenda o que acontece no cérebro humano no momento da morte

