Leucemia, linfoma e mieloma múltiplo são tipos de cânceres hematológicos que afetam diferentes células do organismo. Embora muitas pessoas associem o câncer apenas a tumores ou nódulos visíveis, essas doenças malignas também comprometem as células responsáveis pela formação e funcionamento do sangue.

As diferenças entre essas condições foram explicadas pelos hematologistas João Guerra, coordenador médico do Setor de Hematologia e Coagulação do Einstein Hospital Israelita, e Lucila Kerbauy, pesquisadora e gerente médica de Terapia Celular Avançada da instituição, em entrevista ao programa CNN Sinais Vitais com Dr. Roberto Kalil.

O que é a leucemia?

A leucemia ocorre quando há uma alteração na célula progenitora, aquela responsável por dar origem às células do sangue. Lucila Kerbauy explica que “a leucemia consiste quando você tem uma alteração lá na célula progenitora que vai dar origem às células do sangue”. Essas células sofrem uma mutação e passam a se multiplicar de forma desorganizada, ocupando o espaço das células saudáveis.

Com isso, hemácias, plaquetas e leucócitos — responsáveis, respectivamente, por transportar oxigênio, proteger contra sangramentos e defender o organismo contra infecções — têm sua produção comprometida, prejudicando o funcionamento normal do sangue.

Linfoma: quando os gânglios são afetados

Já o linfoma envolve outra célula de defesa do organismo: os linfócitos. Essas células estão localizadas nos linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas ou gânglios. Quando os linfócitos sofrem alguma alteração e começam a se proliferar de forma desorganizada, configura-se um quadro de linfoma.

No entanto, os especialistas ressaltaram que o inchaço nos gânglios, na grande maioria das vezes, não indica câncer. “Grande parte das vezes nós estamos diante de um quadro inflamatório, infeccioso”, afirmou a médica, alertando que muitas pessoas se preocupam desnecessariamente ao palpar um gânglio.

Mieloma múltiplo: a doença dos plasmócitos

O mieloma múltiplo é causado por alterações nos plasmócitos, células presentes na medula óssea — o tutano do osso — que são responsáveis pela produção de anticorpos. Quando esses plasmócitos sofrem mutações e começam a crescer de forma anômala e desorganizada, instala-se o mieloma múltiplo.

Diferentemente das outras doenças hematológicas, o mieloma múltiplo apresenta manifestações clínicas específicas, como anemia, dores ósseas, dores na coluna e nas costelas, alterações renais, insuficiência renal e aumento dos níveis de cálcio no sangue. “Por isso que o nome é mieloma múltiplo”, explicou a especialista, referindo-se à multiplicidade de manifestações que caracterizam a doença.

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