O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu a assessora de políticas públicas da Casa Branca Heidi Overton para comandar a Food and Drug Administration (FDA), segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A indicação ocorre após um período conturbado na agência, marcado por saídas de integrantes da alta cúpula e críticas da indústria.

Overton atua atualmente como vice-assessora do presidente para políticas domésticas e trabalha em temas ligados à saúde. Antes, passou pelo centro de estudos America First Policy Institute. Médica de formação, possui doutorado em investigação clínica pela Universidade Johns Hopkins e também foi bolsista da Casa Branca durante o primeiro governo Trump.

Nem Overton nem a Casa Branca responderam aos pedidos de comentário.

A FDA, responsável por regular produtos que representam cerca de um quinto dos gastos dos consumidores americanos, enfrenta meses de instabilidade. O ex-comissário Marty Makary renunciou em maio após 13 meses no cargo, período marcado por conflitos internos com funcionários e resistência de empresas de biotecnologia. Pouco depois, diversos outros dirigentes deixaram a agência.

Overton tem sido presença frequente em anúncios sobre saúde realizados no Salão Oval ao lado de Trump, incluindo temas como política de vacinação, preços de medicamentos e acesso a tratamentos psicodélicos. Ela também falou publicamente sobre a resposta do governo ao atual surto de Ebola.

Analistas avaliam sua indicação como neutra para a indústria farmacêutica, já que ela não possui histórico significativo em política regulatória. Brian Abrahams, chefe de pesquisa global de saúde da RBC Capital Markets, classificou a escolha como “não surpreendente”, destacando que Overton assume o cargo sem posições polêmicas sobre regulação de medicamentos ou propostas declaradas para reformular a FDA.

Segundo o analista, isso pode significar maior autonomia para a equipe técnica da agência e, eventualmente, mais estabilidade, algo que muitos participantes do setor aguardam.

Tradicionalmente, o comissário da FDA não participa diretamente das decisões de aprovação de produtos específicos. O governo Trump ainda não anunciou os líderes permanentes para a divisão responsável pela regulação de medicamentos e para o centro encarregado de terapias genéticas e vacinas. Essas nomeações serão acompanhadas de perto pela indústria para avaliar a postura da administração em relação às análises regulatórias.

Overton também precisará enfrentar um processo de confirmação no Senado conduzido pelo presidente da Comissão de Saúde, Bill Cassidy, senador republicano da Louisiana e médico gastroenterologista. Cassidy mantém uma relação tensa tanto com o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., quanto com Trump.

Senadores republicanos já criticaram a FDA por não avançar mais rapidamente na restrição da prescrição remota de medicamentos para aborto e por algumas decisões envolvendo a análise de remédios destinados ao tratamento de doenças raras.

Se confirmada, Overton terá pela frente a tarefa de estabilizar uma agência abalada por uma rotatividade inédita em seus cargos de liderança. Como a FDA supervisiona uma ampla gama de setores, seu dirigente precisa lidar constantemente com pressões externas e disputas internas dentro do próprio governo.

A agência regula produtos que estão entre as prioridades de Kennedy e da Casa Branca, incluindo vacinas, peptídeos injetáveis, cigarros eletrônicos e grande parte do abastecimento de alimentos dos Estados Unidos.

© 2026 Bloomberg L.P.

The post Trump escolhe aliada da Casa Branca para comandar FDA em meio a crise appeared first on InfoMoney.