
Setembro Dourado nos convida a falar sobre o câncer infantojuvenil e, principalmente, sobre a importância do diagnóstico precoce. Como médico que trabalha diariamente com crianças, acredito que essa discussão precisa ir além de ensinar pais e responsáveis a reconhecer sinais de alerta. Precisamos falar também sobre o que acontece depois que a suspeita aparece.
Uma criança não é um adulto em tamanho menor. O câncer na infância tem particularidades, assim como seu diagnóstico, seu tratamento e o cuidado necessário durante todo esse percurso. Tempo, nesse contexto, importa.
Em Juiz de Fora, essa discussão é especialmente necessária. Em 2025, a própria Câmara Municipal levou a debate a ausência de um centro oncológico pediátrico específico na cidade. O documento que motivou a discussão aponta que crianças e adolescentes com suspeita de câncer atendidos pelo SUS passam por uma rede de encaminhamentos até chegar à assistência necessária.
Isso precisa nos fazer pensar.
Orientamos as famílias a observar sintomas persistentes, alterações neurológicas, dores de cabeça recorrentes, vômitos sem causa aparente, mudanças no equilíbrio, perda de peso, palidez, febre prolongada e outros sinais que merecem investigação. Mas reconhecer precocemente só cumpre seu propósito quando existe um caminho capaz de levar essa criança, com agilidade, ao diagnóstico e ao tratamento adequados.
Como neurocirurgião pediátrico, sei que nenhuma família deveria enfrentar uma suspeita de câncer tentando descobrir sozinha qual porta procurar.
O Setembro Dourado deve servir para informar, mas também para nos lembrar de uma responsabilidade coletiva: garantir que, depois do primeiro sinal de alerta, exista uma rede preparada para acolher essa criança.
Diagnóstico precoce salva vidas. Acesso ao cuidado especializado também.
* Bruno Zidde é neurocirurgião pediátrico.
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