
Acredito que poucas pessoas, antes da Copa do Mundo, tinham qualquer conhecimento sobre Curaçao. Talvez por ser um paraíso fiscal, mas nada além disso. A pequena ilha do Caribe, localizada próxima à Venezuela, ganhou destaque nos noticiários globais ao conseguir a primeira participação na Copa do Mundo usando uma estratégia que vem se tornando tendência em algumas seleções: “adotar” os filhos da diáspora.
Filhos de descendentes que fizeram a vida principalmente nos Países Baixos – Curaçao, inclusive, é parte do Reino do país europeu, sendo um membro constituinte autônomo – aceitaram o convite da Federação local para tentar jogar a Copa do Mundo, e deu certo! Dos 26 atletas convocados, 25 nasceram no continente europeu.
É fato que os filhos da diáspora ganharam o Mundial da América do Norte – e, ironicamente, um dos países com a política imigratória atual mais repressiva é a principal sede desta edição. Duzentos e oitenta e nove jogadores desta Copa são frutos da imigração, o que fortaleceu seleções que deixaram de ser periféricas no cenário global e se tornaram potências, como é o caso de Marrocos, que, em certo momento do duelo contra o Brasil, no último sábado (13), contou com 11 jogadores nascidos fora do território marroquino.
Essa mudança de cenário das seleções é um processo gradual, e, com as políticas de flexibilização para a naturalização de atletas feitas pela FIFA, seguirá comum ver países nórdicos utilizando jogadores com sobrenomes de origem árabe. Quem um dia imaginou que veria um atleta sueco não comemorar um gol contra a Tunísia porque o pai nasceu no país da região do Magrebe?
Quem agradece é o futebol. Que venham mais histórias como as de Curaçao e Marrocos. Um salve e um viva para os filhos do mundo, afinal, nós como brasileiros, sabemos bem o que é ser fruto da diáspora.
* Nathan Marcelino é estudante de jornalismo do sétimo período da UFJF
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